A preservação de madeiras, da forma como ela é praticada hoje, consiste da impregnação da madeira com substâncias tóxicas aos organismos xilófagos, a fim de que estes não possam mais utilizar como alimento para sua sobrevivência e multiplicação.
Entretanto, até hoje, não se descobriu um preservativo para madeira que seja altamente tóxico aos organismos xilófagos e completamente inócuos para os outros animais. As substâncias de baixa toxidez aos animais de sangue quente, apresentam também baixa eficiência como preservativos para a madeira e as que apresentam boa eficiência como preservativos, apresentam também um certo grau de toxidez ao ser humano.
O preservativo deve apresentar um compromisso entre eficiência e segurança. Ele deve ser eficiente mas, ao mesmo tempo, deve apresentar menor risco possível para quem o manipula.
Os preservativos CCA são uma família de produtos que apresentam um compromisso satisfatório entre eficiência, durabilidade e segurança e, por essa razão, é hoje o preservativo para madeira mais utilizado no mundo.
Nos dias atuais, há uma preocupação cada vez maior com o risco que a preservação de madeiras possa representar. Com freqüência, temos sido inquiridos sobre os perigos que os preservativos e as madeiras tratadas com o mesmo poderiam representar para quem os utiliza.
Os CCA´s são preservativos hidrossolúveis que, quando aplicados á madeira, reagem, tornando-se virtualmente insolúveis. Aplicados madeira, protegem-na contra o apodrecimento por fungos, ataque por insetos (cupins ou besouros), ou por furadores marinhos (moluscos e crustáceos). São indicados para tratamento de madeira para uma grande variedade de usos, incluindo dormentes, postes, mourões, construções residenciais e comerciais, estacas e outros.
Alta eficiência contra os organismos deterioradores de madeiraPossui propriedade de manter a madeira limpa e seca, sendo perfeitamente compatível com colas e acabamentos. Não exala cheiro e empresta á madeira tratada, uma cor verde oliva que esmaece com o tempo.
Há basicamente três tipos de CCA, sendo que a diferença entre um e o outro tipo é apenas a proporção em que os compostos de cobre, cromo e arsênio estão contidos na formulação.
Sua fabricação no Brasil é regida pela norma NBR – 8456. a formulação mais comumente utilizada no Brasil é o tipo C.
Os CCA´s pelo fato de reagirem muito rapidamente com a madeira logo após a impregnação, são indicados somente para tratamento pelo processo de Vácuo – pressão em auto-clave (célula cheia). Essa fixação muito alta e muito rápida, oferece as vantagens de garantir uma permanência longa e eficaz do preservativo na madeira, e de evitar os problemas de poluição ambiental e de contaminação de pessoas ou animais que mantêm contato freqüente com ela.
Levando-se em consideração que ainda não se descobriu um preservativo para madeira que seja perfeitamente seguro para o homem e altamente efetivo contra a deterioração biológica, os CCA´s são preservativos que melhor se aproximam de um compromisso entre eficiência, segurança e custo e beneficio, entre as opções hoje existentes.
A impregnação da madeira com CCA deve-se efetuar exclusivamente por processos a pressão e de célula cheia. A usina de tratamento a pressão com CCA, no que diz a respeito á segurança e á prevenção de poluição, devem ser um circuito industrial fechado, onde nada é descartado, e tudo que pode ser é reaproveitado. Suas partes e componentes devem ser mantidos em boas condições, de forma a evitar vazamento ou derramamento do produto e suas soluções.
Na usina, é ainda importante, evitar qualquer possibilidade de contaminação dos depósitos de água com o preservativo ou com a solução preservativa. Para evitar essas contaminações, as seguintes medidas são muito importantes:
Nas usinas que trabalham com bomba a vácuo de anel líquido, a água de arrefecimento da bomba nunca deve ser devolvida ao tanque de água potável. Deve, de preferência, haver um tanque de água para arrefecimento, de forma que a água seja recirculada. Quando esta estiver demasiadamente contaminada, a mesma deve ser utilizada para preparar solução preservativa nova e outra água limpa deve ser colocada no tanque. A água contaminada nunca deve ser descartada.
Operação do tratamentoNa diluição do preservativo – preparo da solução preservativa, no manuseio da solução preservativa ou da madeira preservada, há algumas situações em que pode haver contaminação com o preservativo. Nesses casos, é preciso a utilização de EPI – Equipamento de Proteção Individual adequado.
| Tipo A (%) | Tipo B (%) | Tipo C (%) | |
|---|---|---|---|
| Cromo como CrO3 | 65,5 | 35,3 | 47,5 |
| Cobre como CuO | 18,1 | 19,6 | 18,5 |
| Arsênio como As2O5 | 16,4 | 45,1 | 34,0 |
| TOTAL | 100 | 100 | 100 |
A embalagem do preservativo, após sua diluição deve ser lavada com água e as águas da lavagem devem ser utilizadas na diluição do preservativo.
No final do processo de tratamento, a execução de um período de vácuo de 10 a 20 minutos, elimine os respingos de solução preservativa pelo pátio. Esse vácuo final, entretanto, não deve ser demasiadamente prolongado para não provocar reações de precipitação na solução preservativa. Essa solução que penetra na madeira e é puxada de volta pelo vácuo, contaminam a solução do tanque com compostos orgânicos redutores da madeira. Esses compostos orgânicos redutores reagem com o anion cromato do preservativo que é oxidante, resultando em uma reação de precipitação semelhante ás reações de fixação que serão abordadas no item seguinte desse trabalho.
Os preservativos CCA são aplicados á madeira em uma solução aquosa. Entretanto, nenhum outro preservativo, mesmo os oleosos e óleos solúveis, apresentam uma permanência tão longa dentro da madeira como os CCA´s. é que logo depois de aplicado á madeira, seus componentes químicos reagem os da madeira, formando compostos virtualmente insolúveis. Essas reações são chamadas genericamente de Reações de Fixação.
Essas reações começam a ocorrer logo após o contato da solução preservativa com a madeira. O componente do preservativo que reage primeiro é o composto de cobre que, três minutos após o contato, já começa a se fixar por reações iônicas do tipo ácido acético + hidróxido cúprico = Acetato de Cobre + Água. O acetato de cobre é insolúvel em água.
Ocorrem também reações de oxirredução entre os compostos de cromo que são oxidantes e compostos orgânicos redutores existentes na madeira.
Essas reações iniciam-se logo após o tratamento e demoram tempos variáveis para se completar e sua velocidade de ocorrência depende basicamente da temperatura. A temperaturas mais altas, essas reações ocorrem mais rapidamente.
A 10 oC, essas reações se completam em 13 dias, a 25 oC em 3 dias (72 horas) e a 90 oC em duas horas. O período em que essas reações ocorrem é chamado de Fixação Primária.
Completando o período de fixação, o CCA torna-se virtualmente insolúvel em água e sua permanência dentro da madeira torna-se muito alta.
A sigla CCA significa “Chromated Copper Arsenate”. Em português ficou “Arseniato de Cobre Cromatado”. Porém a sigla CCA permaneceu e tornou-se popular.
O registro mais antigo que possuímos sobre o uso de CCA como preservativo para madeira é o pedido de patente n. 720.248, colocado na Índia em 27 de Abril de 1933, por Sonti Kamesan. Em 1945, o Forest Products Laboratory dos EUA, já possuía ensaios de campo com o CCA – A colocados em Saucier, Miss. Esses ensaios ate hoje encontram-se em andamento.
Hoje os CCA´s são consumidos em larga escala por um grande número de países. É sem sombra de dúvidas, o preservativo responsável pelo maior volume de madeira tratada, produzida atualmente no mundo inteiro.
FONTE: GEISSE, Matias E. (Commerce Director TWB – Treated Wood Brazil); apud REVISTA DA MADEIRA – Wood Magazine; Edição comemorativa exemplar número 100; ano 17; páginas 96 á 99.